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Nova abordagem para tratar a acne: O papel da microbiota da pele

By Dra. Michele C Pereira

A formação de acne depende de uma série de fatores, incluindo hiperqueratinização folicular, excesso na produção de sebo, colonização por Cutibacterium acnes, além de uma cascata inflamatória que causam pele seca e irritada. Dessa forma, é de fundamental importância no tratamento acalmar a pele inflamada, mantê-la hidratada  e restaurar sua barreira.

Todos nós temos a bactéria Cutibacterium acnes, principalmente nas áreas mais oleosas da nossa pele. No entanto algumas pessoas nunca apresentam problemas enquanto outras podem formar a acne em algum ponto da vida.  Estudos vem mostrando que a microbiota da pele representa um ponto chave no controle das manifestações, e entender melhor seu papel com certeza irá revolucionar o tratamento não apenas da acne mas de várias outras afecções de pele. Então vamos la!

Vários microrganismos estão envolvidos no desenvolvimento da acne, não apenas o C. acnes mas também:

  • C. granulosum
  • C. avidum
  • Staphylococcus epidermidis
  • Pseudomonas
  • Corynebacterium
  • Fungo Malassezia

Normalmente, 60% da microbiota é composta pelos gêneros Staphylococcus, Corynebacterium e Cutibacterium. Ou seja, C. acnes está presente nas mesmas quantidades em pessoas sadias e com acne. O aumento na sua população está relacionado à diminuicao da diversidade e riqueza local, traduzindo, disbiose. Quando ocorre um desequilíbrio na microbiota local, isso permite que C. acnes cresça demais, o que agrava a acne.

Estudos recentos mostraram que nem toda lesão de acne contém C. acnes, ou seja, ele não é a causa, masssss, piora o quadro!! Mas como?? Desequilíbrio de microbiota somado à produção excessiva de sebo alteram o comportamento do C. acnes, que passa a agir da seguinte forma:

  1. Produz biofilme: o C. acnes produz proteínas de adesão que agem como “cola” biológica, facilitando a sua colonização no local, impedindo a passagem e saída do sebo, levando a formação dos comedões, promovendo retenção e acúmulo de queratinócitos (células da nossa epiderme).
  • Ativa e sintetiza enzimas como lipases, proteases, hialuronidases, metaloproteinases, que causam um afinamento da parede do folículo e um extravasamento do conteúdo (queratina, sebo, bactéria) para a derme. Esse extravasamento causa mais inflamação do local!
  • O micro-ambiente do folículo é perfeito para o C. acnes. Lá dentro tem sebo, gordura sobrando pra ele se alimentar e tem baixa concentração de oxigênio. O processo preferido dele não é respiração, como o nosso, mas fermentação, e a quantidade pequena de oxigênio é chave para esse processo. O C. acnes produz então ácidos graxos de cadeia curta (SFCA), que ativam mecanismos que aumentam a produção de interleucinas IL-2, IL-8 e TNF-a pelos nossos queratinócitos. Ou seja, ocorre uma interação direta entre os metabólitos do C. acnes com as células da nossa pele, com produção de substâncias que induzem a inflamação.

A população aumentada de C. acnes também causa aumento excessivo da expressão de uma proteína muito importante, a filagrina, pelos queratinócitos do folículo. A filagrina normalmente é degradada para produz o nosso Fator de Hidratação Natural da pele, ou NMF, mas quando em excesso, causa hiperqueratinização, e bloqueio do folículo.

Nossa, parece bastante complexo. E é mesmo. Mas como tratar ou mesmo prevenir que a acne apareça?

Bom, alguns graus de acne podem ser tratados com limpeza de pele, com produtos específicos, seguindo uma rotina de cuidados em casa mesmo. Para graus mais avançados, se faz necessário sim que você procure um dermatologista, onde a inflamação já está bem avançada. Muito cuidado com o tipo de medicação que você vai utilizar. Para alguns graus de acne, seu medico provavelmente vai receitar antibióticos para diminuir a carga bacteriana do local. Mas cuidado! Estudos mostram que alguns membros da microbiota nunca se recuperam após uso prolongado de antibióticos! Além disso, os estudos mostram que algumas cascatas inflamatórias induzidas pelo C. acnes são estimuladas também quando ele está morto, por componentes celulares. Dessa forma, tratamentos bactericidas sozinhos podem não ser tão efetivos quanto os que trabalham em conjunto com anti-inflamatórios.   

Cosméticos com probióticos são excelentes coadjuvantes pois equilibram a microbiota e sua população e atuam também controlando o processo inflamatório da pele.

Foi demostrado que probióticos inibem diretamente Cutibacterium acnes através da produção de proteínas antibacterianas. Por exemplo, cepas de Lactococcus sp. mostraram ser capazes de inibir o crescimento de Staphylococcus aureus, Streptococcus pyogenes e C. acnes através da secreção de bacteriocinas.

Os probióticos também podem auxiliam através de efeitos imunomodulatórios. Estudos mostraram que culturas de pele humana tratadas com uma cepa de L. paracasei mostraram diminuição na resposta inflamatória, percebida pela redução na vasodilatação, edema, e liberação de fator de necrose tumoral alfa.

Referencias:

Kober, M. M., & Bowe, W. P. (2015). The effect of probiotics on immune regulation, acne, and photoaging. International journal of women’s dermatology, 1(2), 85-89.

O’Neill, Alan M., and Richard L. Gallo. “Host-microbiome interactions and recent progress into understanding the biology of acne vulgaris.” Microbiome 6.1 (2018): 177.

Gueniche, A., Benyacoub, J., Philippe, D., Bastien, P., Kusy, N., Breton, L., … & Castiel-Higounenc, I. (2010). Lactobacillus paracasei CNCM I-2116 (ST11) inhibits substance P-induced skin inflammation and accelerates skin barrier function recovery in vitro. European journal of dermatology, 20(6), 731-737.

Dra Michele C Pereira e Silva é a fundadora e CEO da Laviz Cosmética.
-Farmacêutica-Industrial
-Mestre em Genética de Microrganismos
-PhD em Microbiologia Ambiental
-MBA em Cosmetologia e Ciências da Pele

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